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Mais uma vez a culpa morre solteira e quem sofre é o Rio Tinto e o seu ecossistema

Descarga Rio Tinto
Movimento em Defesa do Rio Tinto

Ao longo dos últimos 20 anos o Bloco de Esquerda tem defendido, através dos seus deputados municipais, a importância do estabelecimento de uma política ambiental que proteja o meio ambiente, mas ao mesmo tempo seja capaz de maximizar os princípios do direito à cidade.

As consequências do modelo económico atual mostram-se drasticamente previsíveis no quadro da saúde humana, da alteração dos ciclos vegetativos, da perda de biodiversidade, da segurança alimentar e da configuração dos territórios terrestres. Um exemplo é o caso do Rio Tinto que ao longo dos anos tem sofrido diversas agressões, desde o seu entubamento, às ligações de águas residuais desconhecidas, até às descargas diretas da ETAR do Meiral que agridem constantemente este Rio, impedindo assim a sua recuperação.

O cenário que se verificou no dia 11 de Abril e que teve o seu fim no início de Maio, foi mais um exemplo dessa agressão ambiental.

 No entanto, na ótica do Grupo Municipal do Bloco de Esquerda Gondomar, o caso toma maiores dimensões quando a única informação que existe sobre o assunto aparece pelas redes sociais do Presidente da Câmara de Gondomar informando que as descargas resultaram da necessidade de fazer obras de manutenção do intercetor do rio Tinto.

Lembramos que ainda não passou o primeiro aniversário da inauguração da obra que teve um investimento público de 9,7 milhões de euros, que teria como princípio a reabilitação do Rio Tinto, e permitiria terminar com as descargas directas no rio. Para isso basta relembrar as palavras do Ministro do Ambiente João Matos Fernandes, sobre as potencialidades da obra na altura da sua inauguração: “Esta obra é muito importante numa tripla perspectiva. As descargas vão terminar e ficam resolvidas. Em segundo lugar aproveita-se esta intervenção para construir um passadiço e áreas de lazer ao lado de um rio de que tanto se fala e nunca se fala bem. E os melhores fiscais do que não pode acontecer são as pessoas".

Esta intervenção do ministro deixa ainda maior a sensação de que muitas questões estão  por responder, sobre uma obra que aos olhos do Ministro do Ambiente e do Executivo Camarário, iria resolver grande parte dos problemas inerentes do Rio Tinto.

Afinal qual foi o real motivo da avaria do intercetor, para que tenha havido a necessidade de uma intervenção com mais de 20 dias?

Existiu autorização para a ETAR fazer os despejos no Rio Tinto?

Sendo a infraestrutura propriedade da Câmara Municipal de Gondomar, aquando o término da obra, deveria ter feito uma inspeção minuciosa relativa ao estado em que a mesma foi entregue. Nesta altura, foram detetadas algumas anomalias relacionadas com o sistema em questão?

Dada a anomalia no intercetor e análise das causas da mesma, quais foram as conclusões tiradas pelos peritos? A falha foi projetual ou na execução da empreitada?

Após o apuramento da origem do problema, quais serão as entidades responsabilizadas pelos danos causados ao ecossistema do rio Tinto?

Mais uma vez caminhamos a passos largos para que a culpa morra solteira, sem que se conheça verdadeiramente qual foi o real problema desta obra, sem estudos, sem resultados, sem responsáveis, sem uma voz do executivo autárquico que fosse capaz de ir ao fundo do problema.

 No final de tudo isto quem sofreu foi o Rio Tinto.